FFGR Japan · Japão
Kanazawa
Kenroku-en Garden & Noto Peninsula
O Grande Relato
Kanazawa foi a sede dos senhores Maeda, cujo domínio só era superado em riqueza pelo do shōgun — e que, proibidos de ambições políticas, verteram a sua fortuna na beleza. A herança perdura: Kenroku-en, contado entre os três jardins perfeitos do Japão; as casas de gueixas de Higashi Chaya; as ruelas de samurais de Nagamachi; folha de ouro batida tão fina que respira. Poupada pela guerra, a cidade conservou o que outras perderam. A neve chega aqui a sério, vinda do Mar do Japão, e Kanazawa atinge a sua maior beleza sob ela. Os conhecedores falam desta cidade como outrora se falava de Quioto — em voz baixa, e apenas a poucos.
Esta é a viagem em que o Shinkansen revela a sua forma mais nobre: o serviço Kagayaki da linha Hokuriku desde Tóquio, em Gran Class — dezoito poltronas de pele, serviço de bordo, as montanhas de Nagano a passar a alta velocidade — alcançando Kanazawa em cerca de duas horas e meia. O seu motorista acompanha-o ao embarque na Tokyo Station; um segundo aguarda sob o grande portão de madeira Tsuzumi-mon, com o Toyota Century. Quem prefere a estrada atravessa a espinha dorsal de Honshu pelas vias rápidas Kan-etsu, Jōshin-etsu e Hokuriku, com o Mar do Japão a surgir por fim à direita — uma travessia de cinco horas talhada para o Lexus LM. No Inverno, a cabina é aquecida, os guarda-chuvas são amplos, o tempo é calculado ao minuto.
O Asadaya, ryokan de oito quartos fundado em 1867, destila a hospitalidade de Kanazawa até à sua essência; o Hyatt Centric serve quem prefere a conveniência da estação. Jante no Zeniya, onde Shinichirō Takagi refina a cozinha do velho Kaga, ou aos balcões do Ōmichō Market ao amanhecer, onde o caranguejo-das-neves chega ainda frio do mar — no seu auge de Novembro a Março. Kenroku-en merece a sua hora de abertura, sobretudo no Inverno, quando as cordas yukitsuri sustêm os pinheiros contra a neve. Termine entre as casas de chá de Higashi Chaya quando as lâmpadas se acendem, com a folha de ouro a cintilar nas montras das oficinas. Kanazawa não procura atenção. É precisamente esse o seu luxo.
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